O inquérito policial do assassinato da menina Isabella Nardoni, obtido com exclusividade pelo "Jornal Nacional" nesta segunda-feira (14), contém depoimentos de testemunhas com versões divergentes da maneira como os pais da vítima narraram os fatos.
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Nos registros fotográficos das investigações, o quarto de Isabella é visto com um baú da personagem Hello Kitty, um velocípede e brinquedos nas estantes. A cama aparece revirada, coberta com um edredon branco que, aparentemente, não tem nenhuma mancha de sangue.
O provável quarto dos meninos aparece sem a rede de proteção cortada, já removida pela perícia.
Decorado em azul, com brinquedos nas estantes, o que mais chama a atenção é esta mancha sobre a cama -- de cor compatível com uma mancha de sangue.
Um dos banheiros aparece desarrumado nas fotos.
O "Jornal da Globo" revelou na madrugada desta segunda, em primeira mão, outros detalhes do mesmo inquérito. Vizinhos ouvidos pela polícia relataram gritos desesperados de uma criança e uma forte discussão do casal instantes antes do crime.
As diferentes versões do que aconteceu na noite de 29 de março são contadas em 237 páginas.
Um depoimento fundamental é de um vizinho do 1º andar, o primeiro a ser avisado pelo porteiro sobre a queda da menina Isabella, e o primeiro a chamar o resgate.
Veja cronologia do caso
Ele diz que assistia TV na sala com a porta de vidro da varanda aberta, como de costume, e que, por volta das 23h35, ouviu gritos ao longe de criança dizendo três vezes seguidas: "Papai, papai, papai... pára, pára".
A impressão que ele teve foi de que a criança gritava de um dos apartamentos e não da rua ou dos corredores e elevadores. Passados alguns minutos, cerca de cinco aproximadamente, ele ouviu um estrondo. Era Isabella caindo.
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Outra vizinha, uma advogada moradora de uma casa próxima ao prédio, também relata ter ouvido os gritos. Ela tinha cochilado enquanto assistia TV e acordou, não sabe precisar a que horas, ouvindo gritos de criança – que não soube determinar o sexo - dizendo "papai, papai, papai".
A moradora diz que o grito era alto e dava a impressão de ser um grito de chamado pelo pai, como se ele não estivesse ao lado da criança. Era um grito confiante, no sentido de saber que o pai iria ouví-la e atendê-la. Os dois últimos gritos foram mais débeis, mais distanciados, como se a criança tivesse se distanciando para o interior do apartamento. Tratava-se de gritos mais abafados, como se ela tivesse sido repreendida para calar a boca.
A vizinha afirmou ainda que, depois de cessarem os gritos, passaram-se de cinco a oito minutos até que ela começou a ouvir uma mulher gritando. Provavelmente era Anna Carolina Jatobá, depois que Isabella já tinha caído.
Além das testemunhas que relataram ter ouvido os gritos de uma criança, o inquérito também revela algumas inconsistências. Alexandre e Anna Carolina narram uma história muito parecida sobre a seqüência de eventos no apartamento da família. Mas, há diferenças entre os testemunhos do casal e o do porteiro do prédio sobre o que se passou logo depois da queda de Isabella. Também existem diferenças sobre o que o casal disse quanto ao horário da chegada ao Edifício London, na Zona Norte de São Paulo.
Anna Carolina diz que, quando estava voltando da casa do pai, ainda na rua, percebeu que o celular vibrou. Eram 23h29 ou 23h30 e o carro ainda estava a alguns minutos de casa. Já Alexandre diz que entrou na garagem às 23h10 ou 23h20.
Segundo o porteiro, depois que Isabella caiu, Alexandre desceu primeiro e, depois de alguns poucos minutos, a esposa dele chegou ao jardim do prédio. Nos depoimentos de Alexandre e Anna Carolina, ambos dizem que desceram o elevador juntos.

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